14.7.10

Baunilhas do Egito

Acordei com diversos pensamentos hoje.
Deixei os maus e forçei acreditar que as populações do mundo são felizes.
Os jornais dizem que os países estão em festa.
Populações comemoram seus feitos heróicos - pós futebol - com manifestações públicas.
Na Coreia do Sul, no Japão, na Holanda, no Uruguai, no Paraguai e até no Chile que sofreu agressões da natureza recentemente.
Na Espanha, então... ainda é feriado. São campeões.
No Brasil o foot ball, inventado pelos ingleses, não empolgou.
Na França é feriado, hoje, por causa da revolução do proletariado.
Pensando assim, fui almoçar no Babette Café, que fica na Aliança Francesa, tradicional escola do idioma mais elegante do mundo.
Ambiente simples, aconchegante e discreto.
Convidei Mme M.L. e Mme L..
Havia reservado uma mesa por ser o local pequeno e concorrido.
Ao nosso lado um alegre grupo de dirigentes da Câmara de Comércio França-Brasil. Havia musica ambiente. Tão discreta quanto agradável, como convém.
O cardápio já estava definido para homenagear a data nacional da França composto assim, pela ordem:
Entrée
Mini sanduiche Baudelaire (que vem a ser pão preto com mostarda Dijon e Shitaki na manteiga temperada) sobre salada verde, tomates cereja, gergelim e azeite aromatizado.
Plat
Confit de Carnad (pato confitado), com purê misto de batatas, ervilhas tortas e abobrinhas refogadas com azeite da casa.
Dessert
Creme Brûlée de baunilha do Egito e Verrine de mousse de chocolate com frutas vermelhas.
E, vieram cadenciados, numa ordem alegre. A cada momento minhas convidadas manifestavam cada vez mais contentamento.
Nos foi oferecido o vinho argentino Alfredo Roca, pinot noir, de qualidade insuspeita.
Mme L. não conteve a alegria em saborear os alimentos. Da mesma forma que Mme.ML.
Para mim não foi surpresa. A habilidade das chefs Andréa Durek e Roberta Ribas surpreendem pela correção, delicadeza e combinação correta dos alimentos.

-O que tem de tão especial nesse creme Brûlée que nos foi servido, indaguei, já me preparando para pagar a conta e sair.

-Acrescentei favas de baunilhas do Egito, que me foram trazidas por um atencioso aluno, disse, Andréa.

O Café Babette tem dessas coisas...

Serviço:
Café Babette - Aliança Francesa
Rua Prudente de Moraes, 1101
80.430-220
Fone 3205-0955
Curitiba - Paraná

15.3.10

Pizza de Gorgonzola

Enfrento um grande desafio em Curitiba.
Onde encontrar uma pizza coberta com gorgonzola nas segundas-feiras, depois das 23 horas?

É uma tarefa quase impossível.

Por que digo isso curioso leitor?

Porque é nas segundas-feiras que me encontro com alguns dos mais afinados e profundos conhecedores dos segredos dos... gorgonzolas.

E, frequentemente nos despedimos, depois de consumirmos algumas comidas por aí, com a nítida impressão que os comerciantes de pizzas da nossa cidade não nos querem ver felizes.

Havia, há alguns anos atrás um bom pizzaiolo que nos aguardava próximo do horário usual com aquela preciosidade. Honesta, quentinha, crocante com a atração principal levemente derretida e gosto que dava prazer para a lingua.

Depois fechou.
Chamava-se Salão Italiano e ficava na rua Padre Germano Mayer.
Apelidamos de "ladrão italiano" porque dividiamos a conta e, independente do volume de consumo de comidas e bebidas, o valor era sempre o mesmo.
Acima do esperado.
Mas pagávamos com prazer porque a pizza era honesta e o gorgonzola era importado.
Rememorei esse fato porque hoje não consigo encontrar uma simples pizza coberta com esse queijo requintado que tanto dá alegria para o corpo e para o espirito.
O queijo gorgonzola - neófito leitor - possui massa crua, de cor amarelo pálido com veios azuis, e maturação com duração de três a quatro meses. Após a confecção ele é embalado em unidades de seis a 12 quilos, em folhas de aluminio ou estanho.
Por sua cremosidade, ocupa uma categoria especial entre os queijos "azuis"
Originário de Gorgonzola que fica a 19 quilometros de Milão, na Itália, hoje é manufaturado em toda a Lombardia, principalmente em Bergamo, Cremona, Milão e Pavia.
É um dos grandes queijos gastronômicos do mundo e vem sendo exportado pelos produtores italianos desde 1870.
Continuo em busca desse prazer e quando encontrar contarei para vocês com grande alegria.

16.2.10

Latidos, alarmes e sonhos


Barulhos!!! Ah, os barulhos...

Tiram a tranquilidade de qualquer cidadão honesto, trabalhador, chefe de familia e... assaltantes.

Há diversos.

Os mais comuns são os latidos. Aqueles que não tem hora para acontecer. E, agora preservados pelos seus "donos".

"Não incomode meu cachorro. Ele está manifestando um sentimento de propriedade. Deixe ele latir, senão terei que levá-lo a um psicólogo", disse-me uma zelosa mas desequilibrada proprietária de um odioso animal inquieto.
Diante de tão absurda afirmação, me preocupei.
- As coisas estão mudando, pensei.
Terei que suportar os diversos e constantes latidos sem ao menos ter com quem dividir tal incomodo.
O 156 da prefeitura não acolhe mais tais reclamos.
Chego à conclusão que são até suportáveis diante de outros.
Há os alarmes residenciais e de automóveis.
Estes sim. São tão ineficientes quanto as reclamações pelo tele-marketing.
Os alarmes anti-furtos não funcionam para o que se propõem.
Servem apenas para incomodar vizinhos.
Fazem barulhos tão estridentes que chega-se a ouví-los à quilometros de distância.
E, no entanto, ocupam apenas os sensíveis ouvidos dos despreocupados cidadãos.

Há outros mais.

Os barulhos dos cortadores de grama, dos cortadores de árvores. Das construtoras. Dos motores desregulados nas oficinas mecânicas. Do apito do trem às 23 horas e às 06 horas.
Há ainda o barulho insuportável do auto-falante do "carro do sonho".
Na minha rua passa duas vezes por dia.
Quando saio encontro-o em outros bairros.
É uma feroz perseguição dele em busca de meus sensíveis ouvidos.
Queira me desculpar pelo excessivo barulho que estou lhe causando, atento leitor, mas é um desabafo pelos altos decibéis desses feriados prolongados.
Tentando fugir dos barulhos como fazem os assaltantes, fui em busca de um lugar onde pudesse, ao menos comer algo simples, gostoso, barato e,... em silêncio.
Cheguei no Au Au Lanches do Cabral, tradicional casa de sanduiches da cidade, onde haviam me recomendado saladas e sorvetes.
Caminhei por entre as mesas buscando sossego.
Depois de passar por algumas com crianças em férias, me acomodei na mesa 9, ao lado de três jovens falantes e risonhas.
Após uma breve leitura pelo cardápio preferí um sanduiche normal com folhas verdes, tomates, hamburguer e alguns molhos para complementar. E refrigerantes.
-Inclua bacons, falei para a atendente, antes que pudesse me dar as costas.
Mme M., que me acompanhava solicitou um tradicional Au Au duplo especial, que consiste em pão especial, duas salsichas da marca Sadia, maionese, queijo ralado, batata palha, salada, mostarda e molho de tomate.
Olhei meio assustado para aquele pitoresco pedido e, como se estivesse lendo meus pensamentos, Mme M, disse:
- Não se preocupe. É um desejo de infância que realizo raramente.
- Humm...
Vieram em seguida e foram avidamente consumidos.
Tentei abordar amenidades carnavalescas.
Não obtive êxito.
Algo me incomodava, impedindo minha contumaz gentileza e atenção com Mme M.
Descobri, por um lapso de raciocínio, que a música altíssima do ambiente impedia o extravasar de minha alegria.
Paguei a conta.
Algum tempo depois ainda estava com forte zumbido nos ouvidos.
SERVIÇO:
Au Au Laches - Cabral
Avenida Munhoz da Rocha, 770
Fone (041) 3092-8747
Aceita todos os cartões.

23.1.10

Carne de Onça

Tenho a nitida impressão de que venho recebendo provocações das mais variadas sobre o melhor de nossa culinária.
Entendo que o melhor é feito com dedicação, coragem e boa vontade.
É uma receita simples mas acertada.
Existe profissionalismo e um comércio bastante farto, mas carecendo de melhor estrutura.
Os restaurantes de hotéis estrelados de Curitiba estão bem posicionados nesse quesito.
Mas quase inacessíveis para a maioria dos mortais.
Então devemos nos contentar com a simplicidade e alta criatividade.
Deixando de lado essas enfadonhas e sonolentas considerações, aceitei generoso convite de M J. e Mme S., para comer uma autêntica "carne de onça", regada com "boa" cerveja.
- Esperamos você no Armazém Fantinato, às 20 horas, e desligou seu celular.
Cheguei no horário marcado, acompanhado por Mme M., e, com muita dificuldade estacionei meu veiculo próximo ao local marcado.
Aguardamos por uma mesa e entre uma conversa e outra tomamos uma (urgh) cerveja.
- Leu o artigo do físico Rogério Cesar de Cerqueira Leite, na Folha de São Paulo,( 18.12.2009) com o titulo "Estamos bebendo gato por lebre", questionei M J.?
-Não, me respondeu lacônico.

-Pois bem. Esse notável cientista prova por A mais B que a nossa cerveja é muito ruim. Só é bem vendida por causa do preço. Contém substâncias inadequadas tais como "cereais não maltados" - leia-se milho, em sua composição, malte importado de qualidade suspeita, antioxidante INS 315 e estabilizante INS 405, intoxicando os brasileiros com conservantes.

Ainda pouco convencido por essa verdade, ele pediu mais uma garrafa.
Passado alguns minutos, ainda supresos com a informação que eu havia lhes repassado, o garçon nos conduziu para uma mesa ao lado de uma antiga geladeira e pedi o cardápio.
- Uma "carne de onça", disse M J.
Veio cuidadosamente conduzida pelo atendente Diogo.
Exibiu suas intimidades com a coisa, misturando conhaque, paprica, alho picado e cebola e em seguida uma generosa quantidade de azeite de oliva.
Manipulou com destreza duas colheres. E em seguida nos ofertou com fatias de broa acompanhadas com dois pequenos recipientes de mostarda e manteira cremosa.
Me atirei, voraz, naquele prato social.
A primeira impressão foi de uma pasta cremosa muito bem condimentada.
Depois me acostumei com a textura e paladar.
Continuei informando sobre os maleficios das refrescantes cervejas, mas, teimosamente consumiamos. Acho que, por causa do calor e da quantidade de pimenta colocada em cada fatia.
E assim aproveitamos até o fim aquele exótico e regional prato curitibano.
Passei meus olhos sobre as prateleiras e armários daquele estabelecimento. Anotei alguns produtos alí expostos, tais como: sabonete Colonial, Wimi, bolachas Duchen, King-Cola, cerveja Malt 90, bolacha São Luis, pegador de barras de gelo, engradados de garrafas, gaiolas de passarinho, peneiras, moedores de café, tico-tico, leques, ferro de passar (com colocador de brasas), baleiros, ferraduras, vassouras, rádios, bules, buchas etc. etc...
Pensei:
São produtos da época em que "carne de onça" se chamava hackpeter, e cerveja era cerveja.
Bons tempos.

Serviço:
Armazém Fantinato
rua Mateus Leme, 2553
Bom Retiro - Curitiba (PR)
Fone (41) 3023-1953

31.12.09

Gepetto na frente

Seguindo os sábios conselhos do professor F., fui em busca de uma segunda indicação sobre a melhor pizza de Curitiba.
Pensei em silêncio:
- A cidade acomoda diversas pizzarias. Tem algumas de primeira linha, isto é, aquelas que usam produtos especiais desde a farinha de trigo até coberturas delicadas como mozzarela de bufala, parma espanhol, folhas frescas, tomates sem agrotóxicos, alichi das melhores procedências, enfim, produtos normais que aguçam os mais nobres sentidos. O forno à lenha é fundamental. E, por fim, o tratamento adequado dado ao pobre "cliente".
Ainda divagando sobre o tema lembrei que um ambiente respeitoso - silencioso e sem jantar de "firma" - é parte integrante do conjunto de itens necessários para se chegar ao melhor, além dos acompanhamentos e bebidas.
Todos os itens reunidos formam aquilo que posso definir como apoteose.
- ?
- Achou a conclusão muito além do usual, critico leitor?
-Pois bem. Retiro o termo apoteose e a substituo por íntegro.
Fica melhor.
Voltando ao tema principal, depois desse breve comentário, decidi aceitar animado convite do professor C., e fui ao Gepetto, La Pizzeria, na Alameda Dom Pedro II, no coração do Batel.
Noite agradável, pouco movimento na cidade em função das festas de fim de ano e estacionamento gratuito bem na frente da comentada casa de massas.
Adentrei ao recinto sem qualquer formalidade fui ao encontro do professor C..
Me acomodei, depois de saudar a presença dos demais convidados: professor F. e professor I..
O gentil atendende me ofertou de imediato chopp Eisenbahn Weizenbier que é uma cerveja de trigo leve e refrescante. E, como não é filtrada, conserva em cada copo o fermento utilizado no processo de fabricação, ganhando cor e um sabor sem igual.
Havia sobre a mesa tiras de massa crocante de pizza temperada com azeite extra-virgem, sal e orégano, denominadas Corniccione.
O encontro de notáveis e experts em publicidade, informática, criticos de textos, música, futebol e diversão, não poderia ser mais alegre.
E foi, do inicio ao fim. Entremeados por divagações sobre o comportamento humano e suas idiossincrasias.
Mas, no conjunto foi muito alegre e divertido.
O professor F., que é especialista em informática registrou o encontro e postou em seu endereço no twitter. E foi além:
- Se eu quiser posso, através de meu celular, "abrir a imagem e som on line" disse.
Houve unânime negação, até porque as conversas estavam meio confessionais.
Pedi para ser preparada a primeira pizza:
Alla Calicetti que vem a ser uma massa tradicional coberta com Muçarela(sic) de búfala com antepasto de beringelas temperadas, e Alla Putanesca com Muçarela(sic) tomates-cereja frescos, folhas de manjericão fresco, legítimo alice importado da Italia, alcaparras e azeitonas negras descaroçadas inteiras.
Veio depois de um tempo normal de confecção. Quentinha com as bordas quase crocantes e recheadas com os bons produtos.
E foi consumida de forma cadenciada, ritmada.
Até porque estavamos naquele momento falando sobre a virtuose de Chico Buarque e suas letras e musicas. E também da voz de Emilio Santiago.
Professor C., propôs um intervalo para fumar no deck. Porque agora em Curitiba é assim. Os que fumam são mal tratados. Houve concordância.
Retornamos ao ponto de partida e discutimos os novos sabores.
Pedi um chopp Einsebahn Pilsen,uma cerveja clara puríssima do tipo Lager, de baixa fermentação, suavemente amarga e de médio teor alcoólico (4,8%). Tem coloração dourada. Suas principais características são a pureza, transparência e sabor, que não tem comparação entre as Pilsen nacionais, lembrando muito as importadas alemãs.
A segunda opção foi decidida por unanimidade:
Peperoni, com uma massa tradicional coberta com muçarela, tomates frescos picados, salame especial italiano tipo peperone e azeite extra-virgem, e Calábria, que veio com muçarela, calabresa moída picante artesanal, cebolas crocantes e azeitonas negras inteiras e descaroçadas.
Nossa conversa foi interrompida por um apagão, seguido por vozes entoando um desafinado "Parabéns à você".
Terminamos nosso encontro no "deck", ainda sorvendo os deliciosos chopp Eisenbahn.
- Tenho uma idéia, disse, chamando a atenção dos três:
- Vamos formatar um programa de variedades, que possa ser veiculado no rádio ou na TV, assim, tipo uma revista semanal comentada?
Silêncio profundo...
Eu topo, disse o professor C..
Eu também, concordou o professor F..
Acho ótima idéia finalizou o professor I..
No inicio de 2010 podemos nos reunir para arrematar a idéia e já lançar o programa.
Saimos rindo como fazem os velhos amigos, abraçados, falando amenidades e cotidianos da vida e suas magnificas surpresas.
Nos despedimos, desejando mutuamente Feliz Ano Novo.
Feliz Ano Novo!!!


SERVIÇO:
Gepetto, La Pizzeria ( Eleita quatro vezes a Melhor Pizza de Curitiba - Revista Veja)
Alameda Dom Pedro II, 390 – Batel –
Curitiba - PR
Telefone (41) 3016.4534

6.11.09

O melhor do Bráz

A conversa sempre deriva para lugares e comidas. E, foi num desses agradáveis encontros que o professor F. abriu a discussão para saber qual é a melhor pizza de Curitiba.
- Nasci e me criei em São Paulo e tenho bom conhecimento de pizzarias. Aqui como pizza pelo menos duas vezes por semana... e blá, blá blá. Conheço muitas, mas duas se destacam, disse com ar pedagógico e dedo em riste.

Acreditando nas sinceras palavras do astuto e corajoso professor, me toquei para os lados do parque Barigui em busca de uma delas.
Parei na Pizzaria Armazém Dom Carmino.
- É aqui, disse aflito para Mme M.. Mas, por onde devo entrar?
Bati na porta da frente.
Procurei as laterais, e nada.
Marquei minha silhueta no vidro transparente da janela e pude constatar que no interior daquela casa antiga havia muitas pessoas.
Mesas repletas.
Um pequeno cartaz indicava a entrada ao lado do estacionamento de veículos.
- Humm, resmunguei, franzindo minhas temporas.
Então vamos.
- Sejam bem-vindos, nos acolheu a alegre hostess.
Lamento lhes informar mas só temos mesas na parte de cima.
- ?
Naquela hora eu precisava apenas de uma, de preferência arejada por causa do calor.
- Podem ocupar a 17.
Pronto.
Estamos numa das melhores indicações do bom amigo e professor, acomodados numa sala com pouco barulho e numa expectativa enorme para confirmar ou não aquela segura afirmação.
O gentil atendente nos apresentou um cardápio bem elaborado e com opções generosas.
- Pedí uma pizza com dois sabores denominadas, Bráz e Caprese.
E, chopp (Brahma), devido a agradável temperatura.
Pude observar - ao fundo - as evoluções e habilidades do pizzaiolo em lidar com as massas. Artistico até...
Foi regular o tempo de espera.
Enfim, ei-las (porque eram duas em uma).
Acondicionadas em uma bandeja com tampo de metal para impedir a perda do calor.
O primeiro pedaço sabor Bráz foi delicadamente consumido por Mme M..
Não fiz cerimônia. Fui alegre de encontro a Caprese que sumiu em alguns poucos minutos.
Não houve até então qualquer comentário de ambas as partes.
Só alguns sons incompreendíveis como, hummss, deliciii, otimmm...
Em seguida, trocamos os sabores.
E, assim transcorreu aquele consumo.
Até que refeito da experiência perguntei para Mme M.
- Qual foi vossa impressão sobre essa pizza?
- A moda Bráz, com recheio de abobrinhas é delicada, com generosa porção de queijo parmezão e azeite de oliva. Uma combinação perfeita. E a Caprese, com queijo de búfala, pesto de azeitonas pretas com folhas de mangericão gigante tem sabor mais acentuado, mas correta.
De sobremesa um exótico salame de chocolate servido com sorvete de vanilla (que poderia ser häagen-dazs).
A indicação do experiente professor F. foi acertada.

Serviço:
Pizzaria Armazém Dom Carmino
Rua Jacarezinho esquina com Cândido Hartmann
Fone (41) 3015-9993
Atende todos os dias das 18:30h até 00:00h

5.10.09

Praça da Espanha

Comércio é comércio aqui ou em qualquer lugar do mundo.
Estou certo?

Pensando assim decidi acatar amável convite de Mlle V., para conhecer a mais recente "novidade" dessa cidade tão cheia de chuvas, frios das mais diversas intensidades e gostos e agora de "chacinas" ao estilo de outros estados do país.

Fui à Praça da Espanha, antigo reduto de valentes e brigões da cidade e que por algum tempo havia sido ocupado por grupos de, digamos, "desocupados".
Os comerciantes da região se uniram e rotularam o espaço como sendo o "Batel Soho", dando uma nova roupagem ao reduto popular.
Na verdade fui em busca da anunciada Feira de Gastronomia.
Ainda ofegante percorri os quatro cantos da praça e não encontrei, naquela hora do dia, algo que pudesse acomodar meu aflito estômago.
Pensei:
- Estes comerciantes são mais espertos que nós, pobres mortais. Vim para cá e os unicos lugares decentes para comer são os restaurantes em torno dessa praça.
Estava faminto e decidi visitar o Restaurante Pata Negra.
Mlle V. já estava à minha espera.
Chegaram, em seguida, o Sr. e Sra. Grein, Mlle R. Mlle T. Mlle C. e M L..
Percebi, que aquele chamamento para a feira da praça fez com que muitos buscassem restaurantes da região para satisfazer seus instintos. E o Pata Negra estava com todas as mesas ocupadas. Os esforçados atendentes estavam... se esforçando para evitar atritos maiores.
Passada a fase de indignação e acomodados, partimos para nossos objetivos.
Já no buffet aproveitei as ofertas bem dispostas: tapas, tortillas, empanadas, alguns queijos e embutidos e um atraente prato de sardinhas ao molho escabeche e outro mais com molho vinagrete.
O prato principal veio no tempo adequado: uma paella valenciana - que consiste em um preparo tradicional com frango, porco e coelho - que foi avidamente consumida por mim e por M L.
Vieram em seguida os pedidos de meus acompanhantes. Bife de chorizo e paella à moda aragoneza, com generosas porções de camarões, polvo, lulas e mariscos (foto).
Por se tratar de um restaurante espanhol, o bife de chourizo foi aplaudido.
Veio macio, tenro, tostado por fora e levemente mal passado em seu interior. Tempero leve e adequado. Me remeteu a gratas lembranças das carnes ofertadas pelos competentes argentinos.
As conversas transcorreram alegres e descontraidas.
- Este local está pouco iluminado, apontou o Sr. Grein, no que houve concordância da maioria.
- Mas, dada a posição em que se encontra as pessoas que se assentam de costas para a praça tem a visão clara dos pratos. Ao contrário, as que se sentam de frente para a rua ficam com a visão ofuscada pela intensidade de luz externa.
Nada que interefe na decoração que tem pratos decorativos nas paredes e chão de pedra, aos moldes das tavernas ibéricas.
-É um restaurante bem agradável, com uma carne de boa qualidade, complementou Mlle V..
Estavamos nos despedindo, quando chegou Mme M.
-Tive intenso trabalho e só me desvicilhei deles agora, disse ela, ainda esbaforida pela pressa.
- Recomendo o bife de chorizo, e te auxilio no consumo, ponderei com ar de felicidade.
(...)


Serviço:
Restaurante e Café Pata Negra
Endereço: Rua Fernando Simas, 23
Praça da Espanha
Cidade: Curitiba - PR
Telefone: (41) 3015-2003
Horário de atendimento:
De segunda a sábado, a partir das 10h.
Capacidade: 100 pessoas